Escancara tuas portas... Meus sonhos pedem passagem. Viva a dualidade da vida. Ora utopia, ora lucidez. Viva a tristeza! Viva as lagrimas! Viva a esperança! Viva o sorriso!
Será a realidade um sonho... Ou o sonho uma realidade?
Não sei se posso ser fiel aos meus sonhos, Mas tenho certeza que neles existem verdades escondidas.
Os sonhos são as janelas dos sentimentos, Aqueles bem ocultos. A dor, A insegurança, A solidão.
Escancara sua alma... Preciso saber a realidade. A vida agora é apenas lucidez Viva o choro! Viva a dor! Viva a solidão! Viva a desilusão!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Metade (Oswaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza que a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distante porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos porque metade de mim é o que ouço mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço e que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada porque metade de mim é o que penso mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância porque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito e que o teu silêncio me fale cada vez mais porque metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e a outra metade também.
Nem sempre posso ter você perto de mim, Sou consciente da saudade que detenho no meu coração, e que fomento no seu. Sei que és culpa minha, os rios intermitentes que escorrem na face da tua alma e a agonia que por hora se instalou no seu coração. As asas dos meus sonhos esbarram em obstáculos naturais do ser humano que só poderão ser transpostos em um futuro incerto. Nunca alcançaremos o gozo enquanto estivermos presos ao passado e ao medo do futuro. Nem sempre o final feliz é o melhor pra gente.
CAMINHANDO CONTRA O VENTO SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO NO SOL DE QUASE DEZEMBRO EU VOU
O SOL SE REPARTE EM CRIMES, ESPAÇONAVES, GUERRILHAS EM CARDINALES BONITAS EU VOU
EM CARAS DE PRESIDENTES EM GRANDES BEIJOS DE AMOR EM DENTES, PERNAS, BANDEIRAS BOMBA E BRIGITTE BARDOT O SOL NAS BANCAS DE REVISTA ME ENCHE DE ALEGRIA E PREGUIÇA QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA EU VOU
POR ENTRE FOTOS E NOMES OS OLHOS CHEIOS DE CORES O PEITO CHEIO DE AMORES VÃOS EU VOU POR QUE NÃO, POR QUE NÃO
ELA PENSA EM CASAMENTO E EU NUNCA MAIS FUI À ESCOLA SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO, EU VOU
EU TOMO UMA COCA-COLA ELA PENSA EM CASAMENTO E UMA CANÇÃO ME CONSOLA EU VOU
POR ENTRE FOTOS E NOMES SEM LIVROS E SEM FUZIL SEM FOME SEM TELEFONE NO CORAÇÃO DO BRASIL
ELA NEM SABE ATÉ PENSEI EM CANTAR NA TELEVISÃO O SOL É TÃO BONITO EU VOU SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO NADA NO BOLSO OU NAS MÃOS EU QUERO SEGUIR VIVENDO, AMOR EU VOU POR QUE NÃO, POR QUE NÃO...
Morre lentamente Quem não viaja, Quem não lê, Quem não ouve música, Quem não encontra graça em si mesmo
Morre lentamente Quem destrói seu amor próprio, Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente Quem se transforma em escravo do hábito Repetindo todos os dias os mesmos trajeto, Quem não muda de marca, Não se arrisca a vestir uma nova cor ou Não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos Olhos e os corações aos tropeços.
Morre lentamente Quem não vira a mesa quando está infeliz Com o seu trabalho, ou amor, Quem não arrisca o certo pelo incerto Para ir atrás de um sonho, Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos...
Viva hoje ! Arrisque hoje ! Faça hoje ! Não se deixe morrer lentamente !
Sou escravo durante o dia, mas ao anoitecer sinto-me livre para viver meu ócio corriqueiro, afasto-me um pouco desse mundo caótico para entregar-me à boemia de um quarto escuro. Mesmo cansado, sempre recuso a cama, não acho justo que um dia ruim seja recompensado por horas de sono... Não posso virar uma máquina Programada para fazer tudo igualzinho todos os dias. Acordar, comer, trabalhar, comer, trabalhar comer, dormi acordar, comer, trabalhar... Sou guerreiro do tempo, multiplico os minutos, e não me entrego ao cansaço das horas, evito os caminhos iguais, crio passos e discursos diferentes, não me entrego aos desejos ínfimos dos desertos humanos... Sou tácito por natureza com um leve toque de uma estrela incandescente.
Quando a noite chega e as luzes se apagam A dor da tua falta se faz cada vez mais presente Não me importa se por alguns instantes escuto sua voz, A saudade não ameniza o vazio que se mudou pra mim. Longe de você meus olhos me guiam para a solidão...